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terça-feira, 16 de agosto de 2022

Após Mobilização, Vereador Autor do PL da Desproteção de Áreas Naturais, recua



O Projeto de Lei (PL) PL 85/22 , chamado da desproteção das áreas naturais, mais uma tentativa de "passada da boiada" local, que altera o III Plano Diretor de Pelotas, foi retirado de pauta, na data de hoje (16.08), pelo seu autor, vereador Anderson Garcia (PTB, portanto Bolsonarista e integrante da base do governo), após mobilização rápida da sociedade civil e de instituições cientificas.

O recuo do vereador bolsonarista aconteceu apos a realização de uma Reunião Pública proposta pelo Vereador Jurandir Silva (PSOL), ocorrida ontem, na Câmara de Vereadores, na qual foi avaliado de forma inicial e insuficiente o PL da desproteção das áreas naturais. Estavam presentes as vereadoras Miriam Marroni (PT), Marisa Schwarzer (PSB) e Fernanda Miranda (PSOL), além do seu proponente citado. A sociedade civil também estava presente, como ONGs ecologicas ao lado de instituições de ensino, pesquisadores/as, candidatos e ex secretarios e secretaria de planejamento urbano. A Vereadora Carla Cassais (PT) justificou ausência.

Foto: Ederson Avila

Mauricio Polidori, da FAURB/UFPel, falou da surpresa, nos meios que tratam do planejamento urbano e da proteção ambiental, gerada pelo PL da Desproteção de Áreas Naturais, além da ausência de fundamentação técnica, defendendo estudos e debates para alterações no Plano Diretor, bem como a participação popular na gestão da cidade, como deve ser. Polidori apresentou estudos da FAURB, projetando mapas do município que demonstram a necessidade de proteção dos banhados e matas nativas remanescentes, justamente os ecossistemas atacados pelo PL em questão. Lembrou as ameaças que recaem sobre a Mata do Totó (Mata Atlantica). Afirmou que o “Plano Diretor tem pouquíssimas áreas de proteção” e a necessidade de combater a fragmentação dos ambientes naturais, considerando o PL 85 um “absurdo” ao qual devemos nos opor.


Mauricio Polidori, da FAURB/UFPel. Foto: Ederson Avila

Antonio Soler, do Centro de Estudos Ambientais (CEA), falou em nome do Forum de Defesa da Democracia Ambiental ( FDAM), destacando aspectos jurídicos urbanísticos ambientais, chamando a atenção para as inconstitucionalidades do PL, tanto no método como no conteúdo. No método porque não garante a participação popular, visto que se trata de alteração do Plano Diretor. No conteúdo porque diminui áreas de protegidas, proporcionado ameaças ao ambiente ecologicamente equilibrado, violando princípios constitucionais como o do não retrocesso ambiental e do direito ao ambiente ecologicamente equilibrado, reforçando a necessidade de debates técnicos e políticos. Lembrou que Pelotas se encontra no encontro dos dois biomas mais degradados do Brasil, Mata Atlnatica (90% degradada no Brasil e 95% destruida em Pelotas) e Pampa (quase 60% ja destruido) e que a Lei Orgânica e outras leis obrigam a proteção de banhados e matas nativas e que as leis não podem ser alteradas segundo e somente o interesse do capital ligado a construção civil, menos ainda para retroceder, no quadro critico atual de mundanças climaticas.


Antonio Soler, CEA/FDAM. Foto: CEA.

O governo municipal e sua base parlamentar não se fez presente ao debate, demonstrando, na pratica, a “importância” que emprestam à democracia. A Secretaria de Qualidade Ambiental (SQA), novamente, explicitou sua despreocupação com as áreas protegidas, pois, apesar do seu secretario, Eduardo Scheafer, ser convidado pelo vereador vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara de Vereadores e proponente da referida reunião publica, Jurandir Silva, não compareceu ao debate publico Ora, qual mensagem passa uma Secretaria que tem o dever principal de proteger o ambiente, mas deixa de participar de um debate publico que visa evitar justamente a desproteção de áreas naturais alegando formalidades no convivte (no caso nao recebimento "oficial")? E o que dizer de um parlamento que não faz chegar, em dois dias uteis, um convite oficial a uma instituição cuja participação é técnica, politica e legalmente indispensável? A Câmara não tem o endereço de e-mail da SQA? Salvo justificativas que desconhecemos, são fatos que configuram claro descuido com a democracia ambiental, com as áreas naturais e a população, direta e indiretamente, atingida.

Giovanni Mauricio, do GEEPAA, defendeu o aprofundamento do debate, não só de forma técnica, mas de todas as vertentes possíveis, destacando a cultura negacionista que se manifesta na sociedade e que embasa o referido PL.

O biólogo Mateus Brodt, chamou a atenção para necessidade de restauração desses ecossistemas e não desprotege-los.

A vereadora Marisa (PSB) questionou a base técnica do PL e o seu interesse publico, afirmando que a mesmo esta equivocado.

Já a vereadora Miriam Marroni (PT) entende que a proposta do PL antecipa, de forma inoportuna, um debate que deverá acontecer no processo de revisão da Lei Orgânica, já em curso. Entende ser inadequado tal Pl que provoca um debate de enorme complexidade no momento eleitoral que se avizinha. As conversas realizadas com outros vereadores indicam que a base do governo pretende aprovar tal alteração do Plano Diretor, segundo a vereadora, que propôs a realização de vários fóruns de debates sobre o tema.

A vereadora Fernanda Miranda (PSOL) entende que cabe ao Executivo propor tal alteração, que a revisão do Plano Diretor, em 2018, foi realizada sem debate público e que algumas mudanças estão prejudicando parte da população, como ocorre no momento.

Trata-se de um PL elaborado com descuido e fundado em premissas falsas e que deve ser rechaçado, segundo Rafael Milheira (UFPel).

A Reunião Publica concluiu que:

- comunicar os resultados da Reunião Publica à Presidência da Câmara de Vereadores;

- retirada de pauta do PL da desproteção de áreas naturais aos Conselhos;

- aprofundamento dos debates, com envio do PL da desproteção de áreas naturais aos Conselhos, p. ex.;

Para o CEA, não é possível, para uma cidade com qualidade de vida, fazer alterações, sem debate, sem fase cientifica e casuísticas no Plano Diretor, para atender o mercado imobiliário.


Rafael Milheira, UFPel. Foto: Ederson Avila
Mateus Brodt, FDAM. Foto: Ederson Avila
Jurandir Silva (PSOL). Foto: Ederson Avila

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Futuro Parque Inviabilizado: Área Úmida Urbana Remanescente Destruída

 


Os moradores naturalmente originários da área úmida insistem em permanecer no seu ambiente, que esta sendo destruído. Pesquisas apontaram a presença de em torno 1.200 aves dessa especie de Maçarico. Mesmo assim, a área esta sendo aterrada com a anuência da SQA. Foto: CEA, agosto de 2022.



Foto: CEA, agosto de 2022.

O interesse do mercado imobiliário mais uma vez decidiu sobre o futuro de uma área de importância ambiental para todos/as e também para o ambiente ecologicamente equilibrado. Trata-se de uma área central, desde muito apontada por especialistas em planejamento urbano e pelo movimento ecológico/ambiental, como necessária para implantação de um Parque Urbano, inexistente em Pelotas, que já é deficitária em área verde, com 4m2/habitante (RAMB 2002), quando o recomendado é de 32 m2/habitante.

O chamando banhado do Arroio Pepino, mais conhecido como banhado do Big, vem sendo destruído ao longo desse mês, após a Secretaria de Qualidade Ambiental (SQA) atender ao interesse do proprietário/construtor e liberar a obra de prédios no local. Baseada num laudo pago e realizado por empresa contratada pelo interessado em construir na área, que abriga grande diversidade de espécies de aves (quase 70) do Bioma Pampa, como já foi cientificamente comprovado por diversos pesquisadores, como os da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), a SQA permitiu o início das obras que levará a destruição de tal área úmida, também fundamental para a drenagem urbana, desconsiderando, assim, argumentos técnicos, científicos e jurídicos, como o principio constitucional da função social da propriedade e do ambiente ecologicamente equilibrado.

Entidades do Fórum em Defesa da Democracia Ambiental (FDAM) conselheiras no Conselho Municipal de Proteção Ambiental (COMPAM), órgão máximo da política ambiental municipal, tentaram pautar o debate no Plenário, mas a Coordenação do mesmo, constituida pela SQA e apoiadores, nao tomou as providencias para colocar o tema em pauta.

Ainda há um Inquérito Civil em andamento no Ministério Publico Estadual sobre a supressão dessa área verde urbana remanescente.

O movimento Nem1m De Área Verde A Menos, vem defendendo desde 2015 (já existiam outras propostas anteriores nesse sentido) que a área desde a Praça Palestina, ainda aguardando pela implantação por parte do governo municipal, até o chamado banhado do Pepino fosse reservada para um necessário e inexistente Parque Urbano, cada vez menos possível com o avanço do interesse do mercado imobiliário sobre essa região em detrimento do interesse publico e a falta de politicas ambientais da SQA nesse sentido.

Fonte: Nem1m De Área Verde A Menos.



Oficina de Banhados, promovida pelo CEA e pela #QA, em 2004, durante o II Seminário de Educação Ambiental de Pelotas Direito e Água, na área úmida em questão. Pouco tempo antes dessa foto, a SEURB havia embargo a construção e determinado, administrativamente, a demolição de um muro que o proprietário de parte da área estava construindo indevidamente e sobre o leito do que hoje é a a segunda pista da Av. Juscelino Kubitschek. Foto: CEA.

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Obra Anunciada Ameaça o Pontal da Barra


 

Uma placa de propaganda anunciando uma nova obra na orla da Laguna dos Patos, no Laranjal, em Pelotas/RS é a mais recente ameaça ao ecossistema do Banhado do Pontal Barra, protegido por lei e, recentemente, também por uma decisão na Justiça Federal.

No local, à beira da Laguna dos Patos, junto a área de preservação permanente (APP) há propaganda de venda de casas de “alto padrão”, a 300 metros da praia. Placa não menciona o licenciamento ambiental e nem outra autorização legal.

O CEA recebeu imagens (abaixo) de seus colaboradores/as da praia que se surpreenderam com uma obra na área úmida do ecossistema do Pontal da Barra, espaço de grande importância ecológica e histórica para a cidade e região, que guarda significativa diversidade biológica, protegida pelo Direito Ambiental.

Estamos buscando, junto aos órgãos ambientais responsáveis, esclarecimentos e as devidas providencias.






O Pontal da Barra (ainda) é um ambiente natural, além de importante para a proteção do patrimônio natural, como já demonstrou o movimento ecológico e foi reconhecido pelo Poder Judiciário, além de ser extremamente relevante para o patrimônio arqueológico, como já demonstrou a UFPel.

Por outro lado, também é disputado para quem dele não necessita e, também, para quem tem esse ambiente como fundamental para a sobrevivência. No primeiro grupo estão os que buscam sempre acumular capital, como os grandes do mercado imobiliário. No segundo grupo estão os pescadores artesanais. Ainda existem os que desejam o Pontal para lazer, turismo, caça e pesca.

A manutenção do ecossistema do Pontal da Barra o mais protegido possível, não é só benéfico para os pescadores artesanais, mas para toda a população de Pelotas e região. Destruí-lo para ocupação urbana só interesse aos mesmos especuladores de sempre (porção ínfima da população), que ha muito ganham com a exploração das pessoas e da natureza.

Há anos o CEA vem tentando, junto com outros parceiros de luta ecológica, construir uma politica para a proteção das áreas úmidas (várias propostas foram elaboradas e apresentadas), que sofrem não só com a especulação imobiliária, mas também com queimadas recorrentes.



 

Historia Ambiental

Dentro da proposta e, principalmente, do compromisso do CEA com o direito de todes à Informação Ambiental, procuramos manter (com muitos desafios) e disponibilizar publicamente e de forma gratuita um acervo digital de documentos a respeito da historia ambiental e a indissociável luta ecológica (via educação, direito e, sobretudo, politica ecológica), com nossa visão critica.

No inicio dos anos 90 foi anunciado um loteamento no banhado do Pontal da Barra e posteriormente vários outros projetos como parque temático e hotel e, ao longo de três décadas o movimento ecológico local e seus apoiadores como, inicialmente, o Movimento Abraço a Lagoa e, mais recentemente, o Pontal Vivo, SOS Laranjal e o Fórum de Defesa da Democracia Ambiental (FDAM), vem lutando pela proteção daquela área úmida junto a Laguna dos Patos e o Canal São Gonçalo, divulgando sua importância ambiental e buscando a garantia da aplicação da lei ambiental, através do Ministério Publico (MP), da Câmara de Vereadores, do Judiciário e, sobretudo, do Conselho Municipal de Proteção Ambiental (COMPAM) que é órgão colegiado, deliberativo, fiscalizador e normativo, integrante do sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA e instância superior para o estabelecimento da política ambiental do município.

Abaixo uma noticia publicada em 1994, que trata do corte de corticeiras-do-banhado, espécie imune ao corte até o inicio desse ano de 2020, quando o governo de estado do PSDB e sua base aliada na Assembleia Legislativa, em nome da sua politica neoliberal, proporcionaram um brutal retrocesso ambiental, aprovando uma nova versão do Código Estadual de Meio Ambiente (CEMA).




Trata-se de mais uma, de tantas agressões ao ecossistema nativo do Pontal da Barra, formado, notadamente, por matas e banhados, tão fundamental para populações oprimidas e para a diversidade biológica.

Fato é que, a degradação do ambiental do Pontal da Barra só interessa ao capital poluidor que aprofunda a injustiça e o racismo ambiental.

A informação ambiental ao alcance da população é fundamental para a democracia ambiental.

Ajude a informação ambiental chegar mais longe e colabore com a luta ecológica pela proteção do Pontal da Barra.

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