
Espaço pioneiro e único, exclusivamente voltado para a luta ecológica, de acesso público e mantido pelo Centro de Estudos Ambientais (CEA), ONG ecológica, fundada em 1983. Um acervo digital ambiental (notícias, documentos, fotos, vídeos...) voltado ao acesso à informação ambiental crítica e qualificada, visando fortalecer os processos de Educação Ambiental e para conhecermos e divulgarmos a Legislação Ambiental e o Direito Ambiental, para a Ecopolítica capaz de superar a crise ecológica!
segunda-feira, 29 de abril de 2024
Em defesa das zonas úmidas, dunas e da vida humana e não humana do Albardão
sexta-feira, 19 de abril de 2024
Plantar árvores deve ser lei
Em homenagem a um ano do movimento Rio Grande Quer Verde (https://www.instagram.com/riograndequerverde/). Fotos: CEA e Rio Grande Quer Verde.
A melhor época para plantar uma árvore
foi há 20 anos. A segundo melhor é agora, dizem os/as com alguma preocupação
ecológica. E com imensa razão. As árvores são seres vivos fundamentais para que
o planeta possa seguir possibilitando a continuidade da vida, apesar das várias
ameaças que recaem sobre as florestas, as matas nativas e suas representações nas
cidades, notadamente, o conjunto da arborização urbana das ruas, avenidas e
áreas verdes (parques,
praças; jardim botânico; alguns tipos de cemitérios...).
Nesse sentido, a academia e a política
ambiental têm sido desafiadas sobre a carência de áreas verdes urbanas e as consequentes
ameaças ambientais e sociais daí decorrentes, sentidas pelo mundo a dentro, no
meio urbano e fora dele também. Ameaças que se agravam a cada dia em tempos de
emergência climática, implicando diretamente no comprometimento da qualidade ambiental
e no adoecimento físico e psicológico das populações nas cidades, notadamente
as mais vulneráveis (pobres, pretos, mulheres, jovens, idosos, povos indígenas,
pessoas com deficiência e as expostas diretamente aos impactos das mudanças climáticas).
Instituições cientificas diversas, como Painel
Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) e o Instituto Nacional de
Pesquisas Espaciais (INPE) alertam que a década de 2010 foi a mais quente da
história e, em 2023, os termômetros chegaram a ultrapassar o limite de 1,5°C da
temperatura média da Terra, sendo que, dois dias de novembro, ficaram 2°C mais
quentes, configurando o período de seu maior aquecimento nos últimos 100 mil
anos, segundo o relatório do observatório europeu Copernicus.
O aquecimento das cidades só poderá ser revertido com a manutenção e ampliação de áreas verdes e replantio e plantio de árvores, daí a imprtancia de termos uma legislação ambiental que fomente o plantio e não o dificulte.
Assim, como diversos outros textos de projetos de lei elaborados pelo CEA, hoje leis em Rio Grande, como a reestruturação do COMDEMA, a criação do fundo ambiental, a proteção das dunas, artigos da Lei Orgânica e tantos outros, agora propomos uma lei para plantar árvores e de forma coletiva, planejada, articulada, como política publica, hoje inexistente.
Elaborado pelo CEA (https://www.instagram.com/ongcea1983/), com a colaboração de integrante do movimento Rio Grande Quer Verde e apoio da Bancada do PT.
Há muitos benefícios em manter e ampliar as áreas verdes urbanas públicas. Por exemplo, pessoas que vivem próximos às áreas arborizadas apresentam menor incidência de doenças cardiovasculares fatais e o risco de infarto aumenta à medida que as pessoas se distanciam destas áreas. Importante: e quanto mais densidade de árvores, maior é a proteção à saúde humana. Conforme Barton e Pretty (2010), somente cinco minutos de caminhada por zonas arborizadas, como um Parque, são suficientes para a melhora da saúde mental, incidindo positivamente na autoestima e melhorando humor.
A arborização urbana também proporciona
parte da necessária relação das pessoas (natureza) com o ambiente (outras
formas de natureza), além de ser abrigo e alimento para a avifauna e demais
animais que colaboram com a qualidade ambiental urbana, como o controle da
população de insetos, além de colaborar com a polinização.
Ademais, a estabilidade do microclimática
depende, em grande medida, das áreas verdes e da arborização nas ruas e
avenidas, pois podem mitigar a insolação direta e, à medida em que liberam
vapor d’água para a atmosfera, retirado do solo (evapotranspiração), contribuir
com a umidade do ar, amenizando o calor. Estudos apontam que diferença de
temperatura entre áreas arborizadas e não arborizadas podem ser maiores que até
10ºC. Assim, as áreas verdes combatem os efeitos das chamadas Ilhas de Calor,
típicas de áreas intensamente urbanizadas e carentes de árvores. A diminuição da
incidência de calor colabora com equilíbrio do microclima, proporcionando
conforto ambiental e reduzindo os efeitos de eventos climáticos e suas
consequências, como as enchentes, a quais geram prejuízos patrimoniais e
ameaçam a vida humana, especialmente aos socialmente mais vulneráveis.
Combater a vulnerabilidade ambiental nas
cidades, com arborização urbana, por exemplo, é combater também a
vulnerabilidade social e, em dada medida, prevenir os impactos das mudanças
climáticas, já que zonas arborizadas, também podem ser consideradas importantes
sumidouros de Gases de Efeito Estufa (GEE), contribuindo no enfrentamento das
alterações do clima no plano local, mas com contribuição global, se enquadrando
na máxima do movimento ecológico: “pensar globalmente e agir localmente”.
Importante destacar que as ondas de
calor, impactam perigosamente o metabolismo humano, o que causa, entre outros
malefícios, falta de apetite e desidratação, levando a perda de energia e o
aumento da fadiga, podendo provocar danos gravíssimos a saúde pública,
sobrecarregando o Serviço Único de Saúde (SUS) e, pior de tudo, levar até a
morte.
O conjunto das árvores também pode diminuir das amplitudes térmicas; abrandar a intensidade dos ventos, além de servir de proteção às pessoas durante eventos climáticos. A arborização urbana também funciona como purificadora do ar, absorvendo material particulado em suspensão, filtrando elementos tóxicos (manganês, enxofre, cádmio...), além de, obviamente, produzir oxigênio.
A arborização urbana e as áreas verdes, além
formarem um verdadeiro sistema de refrigeração das cidades, melhorar a
qualidade dor ar e outros benefícios acima citados, também proporcionam outros,
tais como:
-
Sociais:
- Proporcionam o convívio;
- Estimulam comportamentos mais
saudáveis;
- Possibilitam a prática de exercícios, o
lazer e recreação ao ar livre;
- Proporcionam ambientes adequados para
Educação Ambiental ao ar livre.
-
Para a saúde pública:
- Melhoram as funções
cognitivas;
- Ajudam a combater a depressão,
demência e doença de Alzheimer;
- Melhoram o sono;
- Aliviam o estresse;
- Melhoram o sistema
imunológico;
- Reduzem a pressão
arterial;
- Combatem o diabetes;
- Diminuem a incidência de
derrame cerebral.
-
Para o meio urbano:
- Melhoram a
permeabilidade do solo, colaborando para uma drenagem da água da chuva mais
eficiente;
- Formam barreiras
contra ruídos e ventos;
- Embelezam o meio
urbano;
- Ajudam a economizar
energia;
- Colaboram na manutenção
do asfalto (com sombreamento, diminui a temperatura, reduzindo a dilatação da
pavimentação e possibilidades de fissuras. As copas reduzem a velocidade da
água da chuva, amortizando o impacto no solo).
Até setores do mercado, como o
imobiliário, se beneficiam com os espaços urbanos arborizados, pois há uma
valorização da propriedade privada. Tanto que, as zonas das cidades onde o m2
dos imóveis é mais valorizado, via de regra, são também as mais arborizadas, se
traduzindo num tipo de desigualdade verde, que o presente Projeto-de-Lei (PL) também pretende diminuir
para assegurar o constitucional direito ao ambiente ecologicamente equilibrado.
Cabe ainda mencionar que a prioridade
para as espécies nativas regionais, se justifica por que, além de serem parte
da história e da cultura onde estão inseridas, justamente por serem autóctones,
são ecologicamente mais favoráveis às exóticas, pois:
- Apresentam melhor desenvolvimento
metabólico;
- Apresentam maiores possibilidades de
produção de flores e frutos saudáveis;
- Apresentam maior adaptabilidade ao
clima e solo, pois a relação entre os nutrientes disponíveis e os necessários é
na medida adequada;
- Apresentam maior possibilidade de
proliferação das espécies nativas, combatendo eventuais processos de extinção;
- Integram um ecossistema no qual uma
espécie coopera com a outra, de diversas formas;
Além disso, as nativas regionais
proporcionam alimentação adequada para a fauna também nativa, colaborando com
sua proteção (são as árvores nativas que as aves autóctones priorizam para
fazer seus ninhos), ao mesmo tempo que combatem as espécies consideradas
exóticas invasoras e, consequentemente, as doenças e desequilíbrios provocados
pelas mesmas, mitigando os impactos negativos da urbanização no meio natural.
O município de Rio Grande, localizado na
zona costeira brasileira, onde se encontram os dois biomas mais degradados do
Brasil (Mata Atlântica, que já perdeu 95% da sua cobertura original e o Pampa,
com 60% alterado) apresenta um déficit de área verde urbana. O recomendado é 32
m2 de área verde por habitante, mas Rio Grande dispõe apenas 5,9 m2 de área
verde por habitante, cinco vezes menos.
Outrossim, se são necessárias 9 árvores
para garantir o oxigênio que uma pessoa consome por dia e, considerando uma
população aproximada de 200 mil habitantes em Rio Grande, são necessárias 1.800
milhão de árvores para atender a necessidade dos seus munícipes.
Tais dados, de forma incontestável, reforçam
ser fundamental que o plantar se dê num esforço urgente e por todos (poder
público e sociedade civil) associado a uma manutenção adequada das árvores na
cidade e fora dela.
Por isso, a participação da sociedade,
em cooperação com o poder público, é um relevante instrumento para melhorar o
lugar onde se vive, sobretudo, a qualidade ambiental urbana, com repercussões
na saúde pública e na proteção ambiental. Nesta direção, a Lei Orgânica
Municipal estabelece que o Poder Público deverá “assistir, tecnicamente, os
movimentos comunitários e entidades de caráter cultural, cientifico e
educacional com finalidades ecológicas nas questões referentes à proteção
ambiental, ensejando a participação da comunidade organizada no processo de
planejamento” além de promover a “criação de mutirões ambientais, compostos de
entidades civis com finalidades ambientalistas” (X e XVIII, parágrafo único,
art. 195).
A relação de afeto que pode se
estabelecer entre o munícipe e sua cidade e a participação na gestão da coisa
pública, são fundamentais para transformação e melhoria social, na direção de
um ambiente equilibrado e sadio, garantido na Constituição brasileira, como
direito fundamental. Daí a importância do Poder Púbico igualmente fomentar a Educação
Ambiental (EA), com vistas a reversão deste quadro, pois, sem consciência do
atual momento crítico, dificilmente se dará tal mudança.
Diz a Lei Orgânica que cabe ao Poder
Público “garantir a educação ambiental em todos os níveis de ensino e
conscientização pública para a preservação do meio ambiente” (inciso I, Art.
197) e ”desenvolver atividades educativas visando à compreensão social dos
problemas ambientais (XI, parágrafo único, art. 195).Para tanto, é fundamental fazer
a informação ambiental chegar o mais longe possível, abordando os problemas e as
políticas ambientas, ajudando a combater as mentiras repetidas, que acabam virando
mitos ambientais que habitam o senso comum, sendo extremamente danosos para a
proteção da vida, como o negacionismo climático, em escala global, e, em escala
local, de que é melhor ocupar e dar outros usos para áreas verdes, que não os seus
próprios ou de que as árvores são somente problemas para as cidades.
O presente PL também está em sintonia com o modelo constitucional vigente, como a Lei orgânica Municipal, conforme exemplos a seguir:
Art. 7º - É da
competência administrativa comum do Município, da União e do Estado, observada
a lei complementar, o exercício das seguintes medidas:
....................
V - proteger o meio
ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas;
Art. 95 No
estabelecimento de diretrizes e normas relativas ao desenvolvimento urbano, o
Poder Público assegurará:
....................
VI - a preservação, a
proteção e a recuperação do meio ambiente natural e cultural;
Art. 137 A ocupação do
solo urbano terá seus critérios estabelecidos em política própria, que tenha
por objetivo a melhoria da qualidade de vida na cidade; a interrelação entre o
urbano e o rural; a distribuição descentralizada do serviço público; o respeito
aos direitos individuais e sociais; o planejamento e ordenação da ocupação do
solo; a função social da propriedade; a garantia da participação popular; a
defesa do meio ambiente; a preservação e a recuperação do patrimônio cultural e
histórico e adequação dos gastos públicos.
Art. 142 As ações do
Município que visem à consecução da política agrícola levarão em consideração
especialmente:
....................
V - a criação de
instrumentos que visem à preservação e à restauração do meio ambiente.
Art. 195 Todos têm
direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, impondo-se ao Poder
Público e à coletividade, o dever de defendê-lo, preservá-lo e restaurá-lo para
as presentes e futuras gerações, cabendo a todos exigir do Poder Público a
adoção de medidas nesse sentido.
Parágrafo Único - Para
assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
..........................
II - prevenir, combater
e controlar a poluição em todas as suas formas;
...........................
XII - prestar serviços
pertinentes à consecução de suas finalidades;
Ainda, este PL atende, no mínimo, os seguintes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS):
ODS
3: Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as
idades.
ODS
11: Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros,
resilientes e sustentáveis.
ODS
12: Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis.
ODS
13: Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus impactos.
ODS
15: Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas
terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação,
deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.
Neste sentido, a designação de um Dia Municipal
de Plantio de mudas de árvores de espécies nativas regionais não somente pode colaborar
com a tão necessária melhora da qualidade ambiental (ecossistema, solo, ar, das
águas...) e da saúde da população, bem como tem potência para mobilizar a
sociedade em torno do enfrentamento de parte da crise ecológica e do premente
cuidado com a cidade, transformando-a em um lugar estética e ambientalmente
melhor, mais justo e saudável para se viver.
Ainda o PL em tela, também pode
colaborar para que as gerações atuais e futuras cresçam adquirindo consciência ecológica
e social, no que tange a necessidade da adoção de medidas para conter a diária
degradação ambiental do local onde vive e do planeta. Em síntese, tal ação se
desdobra e reverbera em vários campos e segmentos sociais e se assenta como
política pública, com benefícios difusos e inquestionáveis para a atualidade e
para o futuro.
Árvore é vida e, aprovar este PL é, então,
proteger a vida. Com esta iniciativa o poder público municipal divide com a sociedade
tamanha tarefa de combater o déficit da arborização urbana, o qual não será
superado somente por ações e/ou comportamentos individuais (por ecológicos que
sejam), nem mesmo só pelo governo, e assim atende ao princípio da responsabilidade
comum, mas diferenciada, previsto na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre
Mudança do Clima (UNFCCC), da qual o Brasil é signatário.
Por fim, não basta só manter o que já existe de arborização urbana (patrimônio público, bem de uso comum do povo, notadamente as que se encontram em espaços públicos), mas sim plantar, plantar muito, através do maior envolvimento possível da sociedade civil e, sobretudo, com políticas públicas que respeitem a Constituição e promovam a proteção da vida humana e não humana.
Referencias
ÁRVORE, SER TECNOLÓGICO. Disponível em <https://arvoresertecnologico.tumblr.com/>: Acesso em: 2 abr. 2024.
BARTON, J., PRETTY, J. What is the Best Dose of Natureand Green Exercise for Improving Mental Health? A Multi-Study Analysis. Environ. Sci. Technol, 44, 3947–3955, 2010.
BRASIL. Lei n˚ 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Disponível em: <https://bit.ly/3dLruW0>. Acesso em: 08 abr. 2024.
CENTRO DE ESTUDOS AMBIENTAIS. Arborização. Disponível em <https://ongcea.blogspot.com/search/label/Arboriza%C3%A7%C3%A3o>: Acesso em: 2 abr. 2024.
MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE. Disponível em <https://antigo.mma.gov.br/cidades-sustentaveis/areas-verdes-urbanas/parques-e-%C3%A1reas-verdes.html>. Acesso em: 02 abr. 2024.
MINISTÉRIO DA CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO –. Disponível em <http://www.inpe.br/faq/index.php?pai=9#:~:text=Existem%20fortes%20ind%C3%ADcios%20de%20que,quentes%20dos%20%C3%BAltimos%201.000%20anos>. Acesso em: 02 abr. 2024.
PAINEL INTERGOVERNAMNETAL DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS - Disponível em <https://www.ipcc.ch/>. Acesso em: 08 abr. 2024
PORQUE plantar árvores nativas. Fuverde,
2021. Disponível em: <https://bit.ly/3s1BS18>. Acesso em: 08 abr. 2024.
RIO
GRANDE. Lei Orgânica Municipal. Disponível em: <https://leismunicipais.com.br/lei-organica-rio-grande-rs>.
Acesso em: 07 abr. 2024.
[1]
Área verde de domínio público é "o espaço de domínio público que
desempenhe função ecológica, paisagística e recreativa, propiciando a melhoria
da qualidade estética, funcional e ambiental da cidade, sendo dotado de
vegetação e espaços livres de impermeabilização" (Art. 8º, § 1º, da
Resolução CONAMA Nº 369/2006).
[2]
Uma árvore adulta com um tronco de 70 cm de diâmetro produz cerca de 100 kg de
oxigênio ao ano. Uma pessoa necessita de cerca de 2,5 kg de oxigênio por dia. Estimasse
ser necessário, no mínimo, 9 árvores para produzir o oxigênio diário necessário
para garantir a vida de uma pessoa.
terça-feira, 16 de abril de 2024
O CEA apoia a criação do Parque Nacional do Albardão!!
Foto: Antonio Soler/CEA
Precisamos de mais e mais Unidades de Conservação,
especialmente no Bioma Pampa, o segundo mais degradado do Brasil (já perdeu 60%
de sua característica original) e é o menos protegido, com apenas 3,3% de
proteção em unidades de conservação (2,4% de uso sustentável e 0,9% de proteção
integral), muito longe do que prevê a Convenção sobre Diversidade Biológica
(CDB), da qual o Brasil é signatário, a qual estabelece que pelo menos 17% de
áreas terrestres representativas de cada bioma (Metas de Aichi), deveriam ser
protegidos até 2020.
Segundo o ICMBIO, a “futura unidade de conservação federal
ocupará aproximadamente 1,6 milhões de hectares, sendo a maioria em ambiente
marinho e apenas 21 mil hectares em ambiente terrestre. A região é o lar de
diversas espécies, incluindo três tipos de tartarugas marinhas (tartaruga-verde,
tartaruga-cabeçuda e tartaruga-de-couro), além de dez espécies de mamíferos
marinhos como a baleia-franca, o golfinho-nariz-de-garrafa, a toninha, leões e
lobos-marinhos, e animais ameaçados como o cação-anjo, o cação-listrado, o
tubarão-martelo e outras 18 espécies.
A área também possui uma rica biodiversidade de aves
marinhas e costeiras (15 espécies) e de aves pelágicas (27 espécies), tanto
residentes quanto migratórias, além de espécies terrestres costeiras e
lagunares. Entre os mamíferos terrestres que habitam a praia isolada do futuro
parque estão o tuco-tuco-da-praia e o graxaim, enquanto répteis e anfíbios
incluem o sapo-da-duna e a lagartixa-da-areia. Vale lembrar que o nome Albardão
faz referência ao farol presente na área desde 1909.”
Contudo, cabe registrar que o CEA defende, assim como nos
processos de licenciamento ambiental, um modelo de participação mais amplo e transparente,
no qual a sociedade civil, notadamente aquela independente do capital, possa
estar incidindo desde do início, como por exemplo, com a realização de audiências
públicas, não só no final do processo, mas, principalmente, ao seu começo.
Tal medida combateria um papel meramente passivo desta
sociedade civil não ligada ao capital, o qual se materializa, por exemplo, em audiências
públicas realizadas somente no final de processo (de licenciamento, de criação
de UCs ou de qualquer outro tema atinente à política ambiental), notadamente quando
elas são meramente informativas, mas ainda assim, com dados incompletos e selecionados
técnica e politicamente. Ou seja, o órgão ambiental organiza e determina como
funcionará a Audiência Pública, via de regra, em submissão e/ou acordo prévio com
setores ligados ao capital, mas não com a sociedade civil critica, configurando,
assim, uma gestão desigual deste espaço democrático, o que desequilibra também as
condições de participação e a tomada de decisão no âmbito da política ambiental,
não havendo condições de manifestação e participação adequadas quando se trata
de uma crítica ou proposta diversa do já posto, como vimos acontecer, em
determinada medida, na “Audiência Pública” do recém decretado PARQUE NATURAL
MUNICIPAL DA BARRA, em Rio Grande/RS, ainda carente de implantação.
Assine em apoio ao Parque Nacional do Albardão!
quinta-feira, 11 de abril de 2024
ONGs Se Manifestam Sobre a Lei 16.111/24 no CONSEMA: inconstitucional!
Áreas de Preservação Permanente (APPs) atacadas.
Águas
privatizadas.
Em
tempos de emergência climática, Eduardo Leite (PSDB e eleitor do genocida)
sanciona a Lei 16.111/24, inconstitucional, diminuindo ainda mais a proteção
das Áreas de Preservação Permanente (APPs), se curvando
novamente ao agronegócio (que consume 90% da água doce), em detrimento da
coletividade e da Natureza.
É
o retrocesso ambiental do retrocesso ambiental, que é o Código Estadual do Meio
Ambiente, de 2020, objeto de AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE (ADI 6618),
no SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF).
A
seguir:
Manifestação
da UPAN/CEA sobre a Lei n. 16.111/2024, EM 11.04.24, na 267ª Reunião Ordinária
do CONSEMA, órgão superior do Sistema
Estadual de Proteção Ambiental (SISEPRA), de caráter deliberativo e normativo,
responsável pela aprovação e acompanhamento da implementação da Política
Estadual do Meio Ambiente
Em
12 de março último, foi aprovado, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do
Sul, o Projeto de Lei (PL) n. 151/2023[1], de autoria do deputado estadual Delegado
Zucco (PL), sancionado pelo governador, Eduardo Leite (PSDB), em 09 de abril,
se transformando na Lei n. 16.111/2024[2], alterando a Lei n. 15.434/2020[3], que institui o Código Estadual do Meio
Ambiente (CEMA), objeto de retrocesso ambientais inconstitucionais.
Com
a promulgação da referida lei estadual, que representa mais um retrocesso
ambiental e com a inexistência de debate prévio necessário neste Conselho
Estadual de Meio Ambiente (CONSEMA), órgão superior do Sistema Estadual de
Proteção Ambiental (SISEPRA), passou-se a classificar – como excepcionalidades
ao caráter de permanência das Áreas de Preservação Permanente (APPs) – enquanto
de “interesse social as áreas destinadas ao plantio irrigado” e “demais
obras, planos, atividades ou projetos definidos em resolução do Conselho
Estadual do Meio Ambiente”, bem como de “utilidade pública as obras de
infraestrutura de irrigação” - incluindo-se “barramentos ou
represamentos de cursos d’água”.
Tais
atividades, entretanto, ao não constarem como excepcionalidades previstas na
Legislação Federal – seja enquanto “utilidade pública”, seja como de “interesse
social” – constituem-se clara afronta ao caráter de integralidade das APPs
nela prevista para todas as demais situações, em que assim, portanto, são
vedadas, sendo ilegal e inconstitucional regra que contrarie tal proteção.
A Lei n. 16.111/2024, ao desrespeitar normas gerais
estabelecidas pela União (pelas Leis n. 12.651/12[4], n. 11.428/2006[5] e a seu Decreto n. 6.660/2008[6]), invadindo sua competência, fere
assim o princípio da competência legislativa concorrente (vertical entre os
entes da federação) prevista no Art. 24, VI da Constituição Federal de
1988, desviando-se do modelo constitucional vigente.
Fundamental
assim, considerar que a previsão de regra estadual complementar à legislação
federal veda ampliar possibilidades de licenciamento ambiental em APPs quando
extrapolando desenho protetivo definido por aquela legislação, , mas tão
somente a elaboração de normas suplementares, dentro de tais delimitações
gerais constitucionais.
Importante
atentar também a possíveis conflitos oriundos de desdobramentos práticos de tal
desatenção, pela Lei n. 16.111/2024, ao princípio
da competência legislativa concorrente, por exemplo em situações de
licenciamento ambiental de atividades nela inclusas como de interesse social ou
de utilidade pública em bacias hidrográficas de rios de domínio da União, que
não interferem apenas nos recursos hídricos do Rio Grade do Sul.
Ainda
do ponto de vista legal, e no campo da legislação de recursos hídricos, a Lei n. 16.111/2024 desconsidera também o princípio da participação dos indivíduos e
das comunidades afetadas via instâncias participativas e suas diretrizes de
descentralização por regiões e bacias hidrográficas através de seus respectivos
comitês de gerenciamento, afetando frontalmente assim os objetivos e
instrumentos de harmonização entre os múltiplos usos dos recursos hídricos ao
promover sua competição e gestão privada. Ao
desconsiderar a adoção
das bacias hidrográficas como unidades básicas de planejamento e gestão dos
recursos hídricos, a Lei n. 16.111/2024 também fere assim a
hierarquia da Constituição do Estado do Rio Grande do Sul, que em seu Art. 171,
instituiu o “Sistema Estadual de Recursos Hídricos” adotando “as
bacias hidrográficas como unidades básicas de planejamento e gestão”.
As
alterações legislativas promovidas pela Lei n. 16.111/2024 não contaram com
parecer prévio dos respectivos Comitês de Bacia Hidrográficas – que é a quem
legalmente cabe o planejamento e gestão do “uso
dos recursos hídricos”, da “proteção dos recursos hídricos” e da “proteção
contra os recursos hídricos em eventos extremos”.
A
criação, em 2022, do “Grupo de Trabalho Políticas Públicas de Reservação de
Águas”, para debater soluções para as dificuldades enfrentadas com a falta
de água decorrente da estiagem no Estado, coordenado pelo Ministério Público do
RS, e que contou com participação da Assembleia Legislativa, entidades
representativas da produção rural e convite a Secretarias da Agricultura, do
Meio Ambiente e IBAMA não pode ser utilizada como justificativa de suficiente
processo participativo. Embora esse GT tenha apresentado documento de
interpretação da legislação, concluído em 14 de abril de 2022[7], seus trabalhos e debates não contaram com
participação desse Conselho Estadual de Meio Ambiente – CONSEMA e nem dos
Comitês de Gerenciamento de Bacia Hidrográfica.
Recordamos aqui que a Lei Estadual n. 10.350/94[8], que criou o Sistema Estadual de Recursos
Hídricos (SERH) e a Política Estadual de Recursos Hídricos (PERH) passou a
considerá-los “na unidade do ciclo hidrológico, compreendendo as fases
aérea, superficial e subterrânea, e tendo a bacia hidrográfica como unidade
básica de intervenção”. Cabe a PERH e a seus instrumentos alcançar
objetivos de “promover a harmonização entre os múltiplos e competitivos usos
dos recursos hídricos e sua limitada e aleatória disponibilidade temporal e
espacial, de modo a [entre outros] combater os efeitos
adversos das enchentes e estiagens, e da erosão do solo” e “impedir a
degradação e promover a melhoria de qualidade e o aumento da capacidade de
suprimento dos corpos de água, superficiais e subterrâneos”.
Para tanto a PERH tem entre seus princípios
regentes a gestão hídrica “no quadro do ordenamento territorial, visando à
compatibilização do desenvolvimento econômico e social com a proteção do meio
ambiente” e “o estabelecimento de instâncias de participação dos
indivíduos e das comunidades afetadas” pela água. Entre suas diretrizes
específicas, a descentralização das ações do Estado por “regiões e bacias
hidrográficas”, a “participação comunitária através da criação de
Comitês de Gerenciamento de Bacias Hidrográficas” e a articulação do SERH
com demais sistemas estaduais, como “de planejamento territorial, meio
ambiente, saneamento básico, agricultura e energia”.
Os
retrocessos legislativos decorrentes da vigência da Lei n. 16.111/2024,
prevendo redução de APPs, a vários princípios constitucionais, como Princípio
da Motivação do Ato Administrativo, ao não aportarem fundamentação técnica que
afastasse os possíveis riscos de prejuízos ambientais e às vidas humanas delas
decorrentes; do Não Retrocesso Ambiental, pois diminui a proteção legal de tais
espaços tutelados juridicamente, além do da Participação e das Competências
mencionados acima;
Com
vistas a observância a tais Princípios e outros a serem apontados
oportunamente, o PL 151/2023 e sua sanção deveriam, mas não apresentaram,
fundamentação técnica – incluindo, projeções do montante de redução de áreas de
APPs a serem perdidas com a implementação de tal regramento, os impactos
negativos na perda de funções, valores e atributos ecossistêmicos dessas e os
respectivos resultados hidrológicos sobre os corpos hídricos advindos de tais
supressões e barramentos.
Tal
ausência de estudos com projeções de impactos hidrológicos prévios – dado os
potenciais impactos negativos sobre a qualidade e quantidade dos recursos
hídricos nas bacias hidrográficas advindos de tais intervenções em suas APPs –
constituem situação não prevista nos Planos de Bacias, gerando assim
necessidade de estabelecimento de critérios adicionais e revisão de prioridades
para a outorga de direitos de uso de recursos hídricos relacionados a
barramentos.
No
atual cenário de emergência climática no RS, caracterizado por eventos
extremos, com tendência a alternância entre estiagens e grandes concentrações
de chuvas em curtos períodos, a Lei n. 16.111/2024 amplia riscos num momento em
que os biomas Pampa e Mata Atlântica já tem sido injusta e dramaticamente
afetados, não apenas em termos materiais e econômicos, mas inclusive com
dezenas de perdas de vidas humanas.
Sendo
imperioso nesse contexto a adoção de políticas públicas que promovam a proteção
e a gestão sustentável da águas e dos biomas gaúchos e não as que possam
contribuir, ainda mais, para sua degradação, sobretudo fazendo-se estratégico o
papel da preservação das nascentes e da vegetação protetiva de seu entorno,
delimitado em APPs, não apenas para a manutenção do equilíbrio hídrico e do
ambiente (art. 225 da Constituição Federal), mas também para a redução de
vulnerabilidades à riscos à vidas humanas em situações extremas, a Lei n.
16.111/2024 vem, entretanto, na contramão disso.
É
de conhecimento científico, técnico e de crescente domínio público que a
manutenção dos aspectos quali-quantitativos da água nas bacias hidrográficas e,
também, a prevenção a riscos a vidas humanas têm relação direta com a
manutenção da sua cobertura vegetal, sobretudo em APPs. Nessa lógica, impactos
negativos, por definição como de proteção de nascentes e/ou de vegetação ciliar
– por gerarem efeitos deletérios sobre as águas das respectivas bacias
hidrográficas – não geram impactos unicamente locais, devendo assim ser
tratados no contexto da sua gestão à luz de seu arcabouço legal/constitucional
e institucional.
Fundamental
considerar que barramentos, quando cheios, não possuem qualquer capacidade de
retenção hídrica adicional, não apresentando a função de amortecimento de
escoamento de águas de chuvas torrenciais e de enxurradas apresentada pela
vegetação em APP do entorno dos corpos hídricos – potencialmente assim
agravando os riscos a vidas humanas à jusante nessas situações cada vez mais
frequentes no RS.
Da
mesma forma é necessário se considerar os riscos adicionais de rompimento de
tais barragens, cujo potencial de multiplicação numérica conferido pela Lei n.
16.111/2024 é inversamente proporcional a capacidade de fiscalização pelos
órgãos de Estado, cuja estrutura sabidamente é deficitária para o atendimento
das demandas, como pode ser inequivocadamente verificado e admitido pelo
governo do estado em relação as empresas fornecedoras de energia elétrica,
serviço essencial, hoje privatizado.
Os
barramentos que se pretende com a Lei n. 16.111/2024 representam aparentemente
também ignorado potencial de alteração da qualidade da água, entre outros por
acumulação de sedimentos, variações nas correntes, aporte de nutrientes,
iluminação e na temperatura da água, com riscos de eutrofização ou mesmo
eventual Floração de Algas Nocivas (FAN).
A
Lei n. 16.111/2024 não contêm também disposições “compensatórias” adequadas
para enfrentar os eventuais danos ambientais, ainda mesurados cientificamente,
decorrentes da remoção de vegetação nativa em APPs e carece de um plano eficaz
de recuperação ambiental, conforme delineado pelo Programa de Regularização
Ambiental (PRA), constituindo outra falha grave e inaceitável em uma lei que
afronta ainda os princípios da Prevenção, Precaução e da Conservação
Recuperação dos ecossistemas.
É
científico que a degradação de vegetação ciliar no entorno de nascentes e de
corpos hídricos e sua consequente redução da capacidade de amortecimento e
retenção hídrica ser um dos principais fatores que contribuem para agravar
tanto os efeitos das estiagens quanto das enxurradas e inundações, assim como
potencializar os próprios eventos climáticos extemos e seus decorrentes riscos
a vidas humanas. Nesse sentido é anticientífico, absurdo e inadmissível o Rio
Grande do Sul apresentar como suposta solução para tais consequências
justamente a cilada de degradar ainda mais essas áreas que, por força de
legislação federal, ainda permanecem preservadas em APPs.
Pelo
exposto acima, manifestamos nosso posicionamento contrário à Lei n.
16.111/2024, tramitação e mérito, requerendo que tal ofício seja lido em
plenário e anexado na ata da presente 267ª Reunião Ordinária do CONSEMA.
Ficamos a disposição para cooperar, nos termos
constitucionais, com a proteção dos biomas Mata Atlântica e Pampa, com a defesa
da democracia ambiental e do ambiente ecologicamente equilibrado.
Porto
Alegre, 11 de abril de 2024.
Saudações Ecológicas,
CENTRO
DE ESTUDOS AMBIENTAIS (CEA)
UNIÃO
PROTETORA DO AMBIENTE NATURAL (UPAN)
ONGs
CONSELHEIRAS DO CONSEMA
[1] Disponível em: https://www.al.rs.gov.br/legislativo/ExibeProposicao.aspx?SiglaTipo=PL&NroProposicao=151&AnoProposicao=2023
[2] Disponível em: https://www.diariooficial.rs.gov.br/materia?id=985097
[3] Disponível em: https://sincage.sefaz.rs.gov.br/documento-completo/e9855af6-bd2e-4276-8a4d-5e8fde8a2ac5
[4] Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm
[5] Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/lei/l11428.htm
[6] Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Decreto/D6660.htm
[7] Matéria disponível em: https://www.mprs.mp.br/noticias/ambiente/54443/ e
Documento Final disponível em: https://famurs.com.br/uploads/paginadinamica/35742/Item_7_de_pauta___Conclusoes___Politicas_Publicas_de_Reservacao_de_Aguas.pdf
[8] Disponível em: http://www.al.rs.gov.br/legis/m010/m0100018.asp?hid_idnorma=12501&texto=
quarta-feira, 3 de abril de 2024
Com Censura à fala, SQA e apoiadores aprovam retrocessos ambientais no COMPAM
Ocorreu ontem, 01.04.24, a Reunião Ordinária (RO) do Conselho Municipal de Proteção Ambietal (COMPAM), instancia máxima da política ambiental local, a qual foi presidida pela Secretaria Municipal de Qualidade Ambiental (SQA), com a seguinte pauta:
1. Informes;
2. Discussão e votação da Ata
da reunião anterior;
3. Leitura do expediente;
a.
Apresentação da minuta e votação de alterações da Lei Municipal 6306/2015;
b.
Apresentação da SQA sobre aplicabilidade do Bioma Mata Atlântica;
c.
Homologação dos processos julgados pela Câmara Temática;
d.
Permanente de Recursos de Infrações Ambientais, Podas e Supressões do COMPAM
(CTPRIA);
4. Discussão e votação da
matéria ou processo em pauta.
Os
retrocessos são notadamente com relação às regras do licenciamento ambiental (Lei
Municipal 6306/2015 que dispõe sobre a Anuência Ambiental Municipal), tendo em
vista minuta de Projeto de Lei (PL) proposto pelo governo municipal, sob o
falso pretexto que alguns pontos da lei atuam necessitam ser alterados, como
por exemplo os prazos das licenças ambientais, a fim de facilitar o trabalho da
SQA, bem como os interesses de quem busca licenciamento de obras e atividades
que geram impacto ambiental (geram poluição). Por exemplo, a Autorização
Ambiental (AA), que hoje é de 1 (um) ano, caso o PL do governo seja aprovado,
passará a ser de 5 (cinco) anos e a Licença Ambiental Prévia (LAP), que hoje é
de 2 (dois) anos, passará também a ser de 5 (cinco) anos.
Os
argumentos da SQA para fazer retroceder a lei ambiental não se sustentam
técnica e legalmente. Alargar o prazo das licenças é muito bom para o
empreendedor (poluidor, que gera impacto ambiental e social negativo),
notadamente setores especulativos do mercado, pois diminui os custos junto ao
órgão licenciador. Mas, para a sociedade e o ambiente, é extremamente
prejudicial, pois diminui a capacidade do órgão licenciador de monitorar e
fiscalizar tais obras e atividades, reduzindo também as possibilidades de
evitar danos ambientas e sociais, ferindo diversos Princípios do Direito
Ambiental, como o da Prevenção, o que se configura numa inconstitucionalidade.
Outra
proposta de retrocesso na legislação ambiental, é a obrigatoriedade de parecer
da Comissão Técnica de Anuência Ambiental (CTAA) previamente à diversas
deliberações que cabe exclusivamente ao COMPAM. O governo pretende trocar, no
texto da lei em vigência, o verbo “poderá” pelo “deverá”. Destacamos que a CTAA
é composta exclusivamente pelo poder público, cujos membros são nomeados pelo
secretário da SQA, não havendo garantia de que sejam técnicos e não cargos em
comissão, nem controle social e muito menos transparência, um dos motivos pelosquais o Centro de Estudos Ambientais (CEA) manifesta sua contrariedade.
Discussão e deliberação sobre do Art. 5º e
seus incisos do PL (alargar os prazos das anuências ambientais).
A proposta da SQA é ampliar os prazos das anuências ambientais para 5 (anos),
sem direito à renovação. Já a representante da Ordem do Advogados do Brasil
(OAB) propôs um prazo de 2 (dois) anos, prorrogáveis por mais 2 (dois). A
proposta da SQA obteve 8 (oito) votos; a da OAB 6 (seis) votos e 1 (uma)
abstenção.
Discussão e deliberação sobre os textos
dos artigos 5ª, §2º; 13, parágrafo único; 14, §1º; 15, § 1º; 21, parágrafo
único; 32, parágrafo único; e 34, parágrafo único do PL. A
proposta da SQA é de que seus pareceres passem a ser obrigatórios nas diversas
hipóteses previstas na Lei 6.360/2014. A OAB apresentou proposta de manutenção
do texto original onde tal parecer da CTAA é facultativo, cabendo ao COMPAM
solicitar nos casos que entenda ser necessário. Colocada em votação, a proposta
da SQA obteve 4 (quatro) votos e a da OAB obteve 11 (onze) votos.
Discussão e deliberação do art. 17, I do
PL. Proposta da SQA:
inclusão,
na equipe técnica responsável pelo licenciamento, fiscalização e controle
ambiental, um profissional da área da geologia. A OAB apresentou proposta para
a inclusão também de advogado, mas a retirou, tendo em vista argumentos postos
pela SQA.
Discussão e deliberação do art. 25, IX do
PL. A proposta da SQA pretende que os recursos de deferimento
ou indeferimento de licenças sejam, obrigatoriamente, encaminhados primeiramente
para CTAA. A OAB apresentou outra proposta, na qual o parecer só seria
necessário caso o recorrente assim solicitasse. A SQA se manifestou pela
retirada da sua proposta. Porém, a mesa dos trabalhos defendeu a não retirada
da mesma, mas apenas o caráter de obrigatoriedade. Assim foi aprovado.
O CEA
entende que o PL do governo diminui ainda mais a capacidade (poder) do COMPAM,
já debilitado, de incidir sobre a política ambiental local, substituindo-o, em
algumas situações (assim como já fez com o Pontal da Barra, arborização urbana,
mudanças climáticas e a Educação Ambiental, por exemplo) pela Comissão Técnica
de Anuência Ambiental – CTAA (que é submetida hierarquicamente ao secretário da
SQA) e também pelo próprio secretário da SQA, que passa ter a última palavra em
termos de recursos de licenciamento ambiental, concentrando super poderes,
transformando-o numa espécie de “imperador do licenciamento ambiental”, pois o
mesmo terá poder de decidir ignorando a técnica e a lei, desprezando pareceres
exarados pela própria CTAA e do COMPAM “avocando para si a responsabilidade de
tal decisão”, o que é inequivocamente inconstitucional.
Se
trata de um brutal retrocesso, que havia sido banido da legislação ambiental
municipal em 1994, quando o COMPAM foi reestruturado, o qual deixará de decidir
em último grau de recurso, de forma transparente e colegiada, para que isto
seja feito de forma monocrática, ou seja, por uma só pessoa: o secretário da
SQA, não só diminuindo a democracia, mas por outro lado aumentando as
possibilidades de corrupção e de desvio de finalidade.
Também
se iniciou a apresentação, por parte da SQA, quase dois anos após o
requerimento do CEA, sobre aplicabilidade da Lei da Mata Atlântica em Pelotas,
principalmente nas áreas demarcadas pelo mapa elaborado pelo IBGE, o qual
indica as Florestas Estacionais Deciduais no Estado do Rio Grande do Sul. A SQA
tem atribuição de licenciar obras e atividades nessas áreas, devido um convênio
com a FEPAM. Este ponto seguirá na pauta da próxima RO, em maio. O CEA lembrou aos
presentes que encaminhou à SQA, em 27 de maio de 2022, o Ofício 13/2022,
requerendo acesso aos termos do convênio celebrado entre a FEPAM e a SQA para a
realização do licenciamento nas áreas de Mata Atlântica e que, até a presente
data, não foi respondido, ou seja, mais um claro desrespeito ao direito de
acesso a informação ambiental.
Mais
autoritarismo da SQA e apoiadores. O membro (não conselheiro)
do CEA (entidade conselheira do COMPAM e também do CONAMA), Daniel Melo Barreto,
solicitou a palavra, como de costume, com base no art. 15 do Regimento Interno
do COMPAM e na lei vigente, para colaborar com as discussões, tendo em vista o
seu conhecimento e experiência pessoal e do CEA em vários conselhos de
políticas públicas Contudo, de forma autoritária e antirregimental, a fala foi
negada pela coordenação da RO, semelhante ao que já o fizera em outros
momentos, como com a representação da UFPel, tratamento que não se dá a consultores
ambientais, empreendedores (poluidores) e/ou autuados que buscam o Conselho, o
que representa uma parcialidade incabível.
Lembramos
que o CEA é uma ONG com mais de 40 anos de atuação, colaborando em diversos momentos
com a construção da política ambiental, como a reestruturação do COMPAM (década
de 90) e a criação da SQA (década de 2000), e que vem realizando, como sempre o
fez, um mandato critico, mas em prol da proteção ambiental, defendendo as
reivindicações do FDAM junto ao COMPAM, o que, certamente contraria interesses
de poluidores, infratores e criminosos ambientais.
A
atual Coordenação do COMPAM é composta pela Secretaria de Qualidade Ambiental (SQA), Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB), Sindicato da Indústria de Arroz de Pelotas
(SINDAPel) e Associação Comercial de Pelotas (ACPel).